Teresa Ribeiro
— Finalista
Sinopse
O Ginjal, em Almada, foi, durante décadas, um território contínuo de trabalho, convivência e pertença, onde o rio era condição e não cenário. Mais do que um conjunto industrial, era uma espessura de vidas feita de práticas quotidianas e sociabilidades informais.
A demolição dos edifícios, o afastamento dos moradores e a interdição do acesso, em 2025, não significaram apenas uma perda material, mas uma ruptura profunda, com a suspensão de um ecossistema social e de um modo de habitar. Desaparece não só a arquitectura, mas também a continuidade de gestos, relações e memórias.
Perante esta descontinuidade, importa evitar a sua diluição. Como preservar a identidade de um lugar sem os seus suportes físicos? Como impedir que a reconfiguração apague marcas de trabalho e resistência?
Este projecto fotográfico, de longa duração, propõe uma reflexão crítica sobre memória e transformação, interrogando que futuro pode emergir sem trair a densidade do que ali existiu.
Biografia
Teresa Ribeiro (Lisboa, 1956) iniciou a sua formação em fotografia no Instituto Português de Fotografia, onde frequentou o curso avançado em 1983/84, prosseguindo os seus estudos no Ar.Co, em 1994, e, mais tarde, no curso de Retrato Avançado orientado por Paulo Roberto, em 2002. O seu trabalho desenvolve-se em torno de uma abordagem documental e social, destacando-se a instalação individual Abrigo para Sem Abrigo (2010). Participou em diversas exposições colectivas, entre as quais Espaços e Fronteiras (2017), Movimento em Defesa da Vida (2020), Narrativas do Intendente (2021) e a exposição dos finalistas da Masterclass Narrativa (2023). Em 2020, auto-publicou o fotolivro Oficinas do Intendente, consolidando um percurso marcado pela atenção aos territórios urbanos, às comunidades e às transformações sociais.
© Teresa Ribeiro