Filipe Bonito
— Finalista

Sinopse

Random Poetry é um projecto fotográfico contínuo. Cada imagem é um pequeno poema; tal como um haiku ou um soneto, obedece a regras específicas: formato quadrado, preto e branco, contraste acentuado, desfoque pontual e espontaneidade. Estas regras não limitam; são antes um veículo formal de expressão e linguagem.

As regras são claras, o propósito não. Cada fotografia encerra-se em si mesma, mas todas se entrelaçam numa extensa linha temporal, formando um corpo de trabalho. Quando vistas em conjunto, têm o potencial de construir uma narrativa coesa.

A poética é a arte da composição, e estas fotografias são pequenos exercícios de escolha e de olhar atento, enquadramentos onde se procuram captar momentos únicos que, de outra forma, se perderiam.

Aqui, os registos rápidos são elevados à condição de obras físicas tangíveis. No fundo, trata-se apenas de uma colecção de pequenos poemas visuais filtrados pelo preto e branco.

Biografia

Filipe Bonito (Almeirim, 1979) é arquitecto e fotógrafo. Filho de fotógrafos, cresceu ligado à imagem analógica e aos processos laboratoriais de revelação, contacto precoce que marcou a sua relação com a fotografia. Desenvolve projectos centrados na memória, no arquivo e na poesia visual, explorando a forma como as imagens preservam, transformam e recriam narrativas. É autor de Random Poetry, uma série de poemas visuais a preto e branco, e curador de Sombras de Alguém, projecto dedicado à recuperação, investigação e exposição de negativos e rolos fotográficos encontrados, dando nova vida a fragmentos esquecidos da memória colectiva.

© Filipe Bonito